Por: Laila Sena
O personagem de hoje é, mais uma vez, especial. É uma daquelas pessoas que não consegue ficar parada diante algumas injustiças e faz esforços para melhorar a vida da comunidade que o cerca. Estou falando de Rene Silva, um menino que aos 11 anos emplacou um jornal que anunciava serviços e notícias da comunidade do Complexo do Alemão. Hoje, quase sete anos depois, a coisa mudou um pouco de figura. Vamos conhecer? :)
Conheci o Rene na sala de espera para um evento. Iríamos palestrar sobre as mudanças sociais que buscamos nas redes sociais e vi aquele menino ali, quieto e tímido, ao lado de sua mãe, um adolescente comum, como qualquer um de nós somos/fomos. Mas Rene não para nesses adjetivos. O jornal que ele começou aos 11, ganhou VOZ (isso, em “voz” alta mesmo) no dia 25 de novembro do ano passado, quando aconteceu a “grande guerra” no Complexo do Alemão, aquela que todo mundo viu, e hoje ele virou uma das grandes referências de empreendedor social no País.
Desde pequeno o nosso personagem sai pelas ruas da comunidade com seu caderninho em punho, buscando pautas que acrescentem os serviços do Complexo do Alemão. Já bateu de frente com tráfico e muita porta fechada, afinal, o sonho de se tornar jornalista fez Rene personificar a comunidade. É quebra daquele paradigma que diz que “na favela só tem bandido”. Tem também gente do bem.
“Meu objetivo é resolver os problemas sociais da comunidade, mas isso também é um problema de socialização daqui, temos que falar com a comunidade o que está acontecendo, em que momento estamos e como devemos agir diante disto tudo, de todas as mudanças.”
Consciente, Rene sabe há tempos que seu trabalho vai além do jornal. Com a intenção de ajudar os mais necessitados, o editor-chefe do “Voz da Comunidade” organiza eventos para distribuir sorrisos pelas ruas do Complexo do Alemão. Já aconteceu festa Julina (Arraiá da Paz), corrida pelos caminhos que um dia conhecemos como rota de fuga (Corrida Pela Paz) e, agora, pede ajuda para a festa Pintando o Sete no Alemão, que ocorrerá no dia das crianças.
É importante ressaltar que o trabalho de Rene junto ao jornal “Voz da Comunidade”, assim como outros grupos da comunidade, “tem objetivo de mudar a realidade da favela com pequenas atitudes, às vezes não precisam de milhões pra fazer uma coisa mudar. Bastam atitudes pequenas que façam a diferença.”, mas para isso, também precisa da nossa ajuda. Ele ressalta “chamo jornais para cobrirem os eventos que produzimos, a festa e alegria dos moradores da favela, mas só aparecem quando tem guerra”.
O trabalho de Rene lembra aquela famosa frase de Ghandi (“Seja a mudança que você quer ver no mundo”), mas, na verdade, o que ele quer mesmo é viver repleto de utopia, como Eduardo Galeano: “Pois a utopia serve para isso. Para caminhar.”
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